Gestualidades simbólicas no cotidiano extraordinário: sobre experiências rituais nas perdas e lutos
DOI:
https://doi.org/10.1590/2526-8910.cto415440831Palavras-chave:
Rituais , Luto, Atividades Cotidianas, Acontecimentos que Mudam a Vida, SimbolismoResumo
As manifestações rituais configuram-se como dispositivos milenares da memória, pois concentram narrativas e modos de transmissão que sustentam tanto o ato quanto o efeito da ritualização desde seus marcos ancestrais. Neste texto, propõe-se refletir acerca da relevância e da urgência de instaurar gestualidades simbólicas diante de perdas significativas e processos de luto. Ao reconhecer a multidimensionalidade dos ritos e conferir visibilidade às suas funções, composições, simbolismos, dimensões e perspectivas, buscou-se alcançar esse propósito. As experiências rituais configuram-se como atividades humanas eminentemente heterogêneas, seja em sua conjuntura genérica, enquanto constituintes da vida cotidiana e expressas no fazer humano dotado de sentido, seja em sua singularidade, quando associadas à complexidade do sofrimento humano de distintas naturezas, resultante de rupturas já em curso ou daquelas em iminência, nas quais a ritualização assume características e desdobramentos específicos. Diante da pluralidade das experiências humanas que demandam gestos com valor simbolizante, torna-se necessário explicitar as concepções que fundamentam esta reflexão, construída à luz dos ritos piaculares, dos rituais fúnebres e dos ritos liminares. Nessa perspectiva, destaca-se a noção de poiesis como suporte interventivo, pois possibilita compreender a criação e a produção da ritualidade como gestos inventivos. Sob esse horizonte, considera-se que a terapia ocupacional possa refletir sobre modos de instaurar poiesis rituais como dimensão constitutiva de seu processo interventivo.
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